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A identificação da energia orgônica (dimener) a partir da técnica psicanalítica da Vegetoterapia

Este trabalho busca exemplificar como o Psiquiatra Austríaco Wilhelm Reich utilizou-se de experimentos do método experimental para tentar identificar a energia extra-física. O Chi, o Prana, ou o Orgônio...



Acumulador de Orgônio construído pela Escola de Atividades Gravitacionais em 2010

Wilhelm Reich foi um discípulo de Freud que ao longo de seu trabalho foi

divergindo das idéias freudianas e ampliando a noção de libido. Identificou o

fluxo da libido no organismo humano através de medições das cargas de

energia no corpo relacionadas com emoções e sensações, desde a reação da

língua ao açúcar até a reação da mucosa vaginal a um estímulo de

aborrecimento, e percebeu que locais por onde essa energia vazava ou se

encontrava imóvel representavam sintomas de angústias.


Posteriormente, Reich observou o comportamento desta energia através

de medições com contadores geiger-muller e outros instrumentos no uso e

funcionamento dos aparelhos orgônicos, além de experiências visuais a olho

nu e comparadas com experiências através de lentes, através das quais a

energia de cor cinza-azulada era observada congruente ampliada, descartando

ilusões de ótica. O mais famoso destes  aparelhos orgônicos inventados por

Reich é o acumulador de orgone, uma caixa com materiais atraentes e

condutores estratificados excitando e direcionando o Orgônio, acumulador este

que é utilizado desde em conservação de alimentos até em tratamento contra o

câncer. 


Mantas, bastões e até motores orgônicos foram desenvolvidos com o

tempo no Orgonon, centro de estudos construído por Reich e seus alunos no

Maine, USA. Com o desenvolvimento da Orgonomia, as experiências foram

revelando mais e mais o comportamento da energia orgone, que era diferente

das outras energias (térmica, eletromagnética etc.), pois quando na condição

livre e fluida tendia a agrupar mais energia livre e fluida em vez de se equilibrar

com a energia presa e estagnada, comportamento oposto à entropia normal das outras energias.


Estes dois estados representavam Eros e Tanatos (da

teoria freudiana das pulsões de vida e de morte) respectivamente, ou Or (o livre

fluxo da energia orgone) e Dor (Deadly Orgone, o orgone estagnado),  como

denominadas por Reich. O fluxo equilibrado de Or no corpo humano garantia o

desbloqueio e o afrouxamento de uma couraça energética.

O livre fluxo e desbloqueio da couraça era realizado inicialmente através

da análise do comportamento da pessoa e da modificação de seu caráter e,

posteriormente incrementado com a utilização de aparelhos de acumulação de

energia aplicados sobre o corpo tratando mecanicamente os desvios

psicossomáticos, com mantas, cobertores, travesseiros e bastões orgônicos,

que levavam energia aos locais na couraça com orgone estagnado.

Porém toda esta identificação da dimensão energética partiu de uma técnica

psicanalítica.


Na Vegetoterapia Caractéro-Analítica, posteriormente aprimorada como

Orgonoterapia a partir da identificação do comportamento da energia Orgone

pela Orgonomia, a análise é conduzida sem demasiada e precipitada

interpretação por parte do analista, que se restringe a identificar a forma de

manifestação da pessoa através do caráter e das resistências e transferências

do paciente. Com isso o analista pode apresentar fatos concretos, como a

maneira de falar ou a restrição a determinados temas, que farão o próprio

paciente reconhecer seus atos e imediatamente iniciar uma investigação das

origens destes. Assim, a técnica psicanalítica de Reich não se prende a

opiniões pessoais do analista e nem a interpretações místicas dos sonhos,

material muito subjetivo e pouco conhecido pela ciência. 


...em breve descobriremos que os erros da técnica de interpretação estão nos

seguintes pontos:

1. Interpretação prematura dos significados dos sintomas e de outras

manifestações do inconsciente profundo, particularmente dos símbolos.

Compelido pelas resistências que permanecem ocultas, o paciente consegue

obter o controle da análise, e somente quando é tarde demais o analista

percebe que ele está andando em círculos, completamente intocado;

2. interpretação do material na sequência em que é oferecido, sem a devida

consideração pela estrutura na neurose e pela estratificação do material. o erro

consiste no fato de fazerem interpretação simplesmente porque o material

surgiu claramente (interpretação assistemática do sentido);

3. a análise fica emaranhada não só porque as interpretações são disparadas em

todas as direções, mas também porque isso é feito antes de se tratar a

resistência principal. O erro aqui é que a interpretação do significado é feito

antes da interpretação da resistência. (Análise do Caráter. REICH, Wilhelm.

1933)


SAIBA MAIS:



A Orgonoterapia busca identificar a principal resistência da pessoa baseada

no comportamento externo dela, esperando um momento propício para o auto-

enfrentamento catártico do paciente quando este estiver pronto para acessar

suas experiências de formação do caráter. 


A personalidade do indivíduo e seu conteúdo ideacional não possuem outro

caminho material que não o corpo e sua fisiologia. Portanto, mais do que julgar

ou classificar um paciente que não está apto para uma comunicação verbal

livre como narcísico demais, cabe ao analista se esforçar para observar as

repercussões corporais causadas pelas descargas elétricas das pulsões de Or

e expô-las ao paciente para que ele conheça a si próprio e possa exercer maior

domínio sobre si.


“Além dos sonhos, associações, lapsos e outras comunicações dos pacientes,

merece especial atenção o modo como eles contam os sonhos, cometem os lapsos,

produzem associações e se comunicam, em suma, seu comportamento.” (Análise

do Caráter. REICH, Wilhelm. 1933)


A resistência é uma força extra que uma pessoa precisará exercer para

camuflar algum traço indesejado ou para suprir algum desejo reprimido. De

acordo com a economia sexual, na qual o organismo dará algum caminho,

mesmo que ectópico, para a energia não gasta devidamente nas funções

biológicas e sociais, essa força extra exigirá um gasto maior de energia

psíquica que precisará ser remanejada de alguma outra atuação que ficará

desfalcada energeticamente, gerando déficit e desequilíbrio no fluxo do

Orgônio no corpo.


Quando o paciente se depara com a exposição de seu caráter feita pelo

analista, observa que, às vezes, seu gasto e empenho energético não estão

sendo empreendido nos objetivos definidos racionalmente e em seu bem estar

psicobiossocial, mas sim em suprimentos paliativos de desequilíbrios

econômico-sexuais. Com isso, o paciente se vê obrigado a admitir a

incoerência entre seu caráter e suas atitudes e se questiona sobre as origens

disso, indo etapa por etapa até acessar seu subconsciente, que emerge

escancarando processos patológicos.


“Mas a resistência é uma manifestação emocional que corresponde a um consumo

maior de energia e por isso não pode permanecer encoberta. Como tudo o que é

irracionalmente motivado, essa manifestação emocional também luta por um

fundamento racional, por uma ancoragem numa relação real.” (Análise do Caráter.

REICH, Wilhelm. 1933)


Toda a energia identifica orgonômicamente possui a mesma qualidade,

sendo os desvios pulsionais da libido e os bloqueios energéticos os

responsáveis pela subutilização econômica orgônica, que buscando

automaticamente a pulsão de vida, o prazer, sem sucesso se manifesta de

maneira restrita, aparentemente buscando o desprazer, que nada mais é do

que a busca do prazer não alcançada.

O capítulo “O Caráter Masoquista.” do livro “Análise do Caráter, representa o

rompimento clínico de Reich com a teoria freudiana da pulsão de morte.


Apresentado pela primeira vez no Internazionalen Zeitsrhift Für Psychoanalyse

XVIII, em 1932, o capítulo demonstra, com base em estudos clínicos que o

masoquismo não é uma pulsão biologicamente determinada, mas sim uma

ectopia na economia sexual a partir da não existência de empenho biológica

humano pelo desprazer. 

O sado-masoquismo, longe de ser um paradoxo, representa formas de

manifestação de uma mesma angústia no orgasmo, uma incapacidade de

realizar todo o ciclo orgástico, e por não encontrar meios de seguir por

completo a função do orgasmo estabelecida por Reich (contração muscular,

carga elétrica, descarga elétrica, relaxamento muscular), encontra caminhos

recalcados para se manifestar, devido ao enrijecimento da couraça.


A descoberta da energia orgone atmosférica (cósmica) obrigou-nos a importantes

revisões em nossos conceitos básicos, não só físicos como psicológicos. Mas não

trato deles neste livro. Serão precisos muitos anos de trabalho cuidadoso para

elucidar as principais tendências desenvolvidas desde a descoberta do Orgone.

Conceitos como “idéia psíquica”, por exemplo, aparecem hoje sob uma luz

totalmente diferente, em resultado de revelações feitas por experiências

orgonômicas. Mas isso não deve desviar os psicoterapeutas e os Orgonoterapeutas

de seu trabalho diário com pessoas emocionalmente doentes. Neste momento são

sobretudo os cientistas e filósofos os que estão sendo desafiados pela descoberta

de uma energia primordial universal: a energia Orgone. (Análise do Caráter. REICH,

Wilhelm. 1933)


Seguindo seus estudos, Reich foi cada vez mais redirecionando seu trabalho

para a biofísica do Orgônio, e com a administração da energia vital aplicada em

melhorar o conforto e bem-estar psíquico no lugar de terapias interpretativas e

verbais. Com o livro Análise do Caráter consolidou seu estudo psicanalítico e

depois com o livro Biopatia do Câncer registrou experimentos e o uso de

aparelhos orgônicos analisando seus resultados.


Bibliografia:


REICH, Wilhelm. A Função do Orgasmo

REICH, Wilhelm. Análise do caráter

RAKNES, Ola. Wilhelm Reich e a Orgonomia


Trabalho realizado para disciplina da UnB - Universidade de Brasília

Introdução à Psicologia - Turma D

2/2012

Aluno: Jacques Sanfilippo

Professor: Leonardo Bernardino

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